Mas quem era eu afinal? Tenho de repeti-lo: era aquele que tem vários rostos.
Durante as reuniões eu era sério, entusiasta e convicto; desenvolto e brincalhão com os companheiros; laboriosamente cínico e sofisticado com Marketa; e quando estava só (e pensava em Marketa) era humilde e inseguro como um menino de colégio.
Seria este último rosto o verdadeiro? Não. Todos eram verdadeiros: eu não tinha, como os hipócritas, um rosto autêntico e outros falsos. Eu tinha vários rostos porque era novo e não sabia ainda quem era nem o que queria. (O que não impedia que a desproporção entre todos os meus rostos me causasse aflição; em nenhum deles eu me reconhecia totalmente e abrigado neles eu avançava às apalpadelas.)
Milan Kundera in Zert
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